Escândalos mudam estrutura na polícia



Pacote de medidas preparado pela Superintendência Geral quer moralizar corporação


Criado em 2004, o Grupo de Resposta Especial (GRE) nasceu com um desafio: ser reconhecido como a tropa de elite da Polícia Civil de Minas. A missão dos 30 policiais escolhidos a dedo pela cúpula da corporação para formar a unidade - entre delegados, inspetores, subinspetores e agentes de polícia - era agir em situações nas quais o que se espera é justamente a habilidade, o rigor e a competência daqueles apontados como os melhores policiais do Estado.

Mas uma série de escândalos e denúncias, que vieram à tona nas duas últimas semanas, levou a Superintendência Geral da Polícia Civil a anunciar a reformulação completa na corporação.

As denúncias vão desde o envolvimento de integrantes do GRE em irregularidades, como compra fraudulenta de veículos, extorsão, a até crimes mais graves, como ameaças de morte e ação de um grupo de extermínio (veja quadro abaixo). As mudanças previstas, ainda não divulgadas oficialmente e sem data para vigorar, vão afetar toda a Polícia Civil.

 Conselho Superior da Polícia Civil está finalizando o pacote de medidas que vai alterar a formação doutrinária dos policiais e também a forma de atuação da corporação em ações práticas. Em suma, o que se pode esperar do plano, garantem fontes da Polícia Civil, é que os policiais serão cobrados a agir com uma conduta muito mais rigorosa e ética. Já em relação às ações táticas, o plano quer priorizar o trabalho de investigação, e não somente operações de caráter repressivo.


Em relação ao GRE, o desafio da Corregedoria da Polícia Civil agora é separar o joio do trigo e direcionar as investigações àqueles que realmente mancharam a imagem do grupo. Algumas medidas foram tomadas desde que provas de alguns dos crimes se confirmaram, há 15 dias: oito dos 30 policiais que integram a unidade não estão mais no GRE - dois estão impedidos de participar de operações e seis foram transferidos para outras unidades da Polícia Civil.


O Ministério Público, por meio da Promotoria de Fiscalização da Atividade Policial, também está no caso e solicitou à Corregedoria da Polícia Civil informações sobre as investigações. Não há prazo para o fim do inquérito, mas o que se espera é que o banho de ética realmente funcione

Fonte Jornal O Tempo


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